Eu fiz uma cirurgia bariátrica quando pesava 125 quilos.
Eliminei 40. Saí dos três dígitos. E tudo indicava que a minha guerra tinha finalmente acabado.
A cirurgia era o recurso que ia mudar a minha história com a balança, com o guarda-roupa e com o espelho. Eu não queria só um corpo menor. Eu queria uma vida leve, em paz, com liberdade. E acreditei que ela vinha junto com o peso.
Não veio.
Eu fui engordando sem perceber. Não teve uma decisão, não teve um dia em que eu desisti. Teve o automático da rotina, dia após dia, até que eu acordei e a balança marcava 102 quilos.
A primeira coisa que eu pensei foi: eu estraguei tudo. Comigo nem cirurgia resolve.
Levou tempo até eu entender que a conclusão estava errada.
A cirurgia fez o que a cirurgia faz. Ela mexeu no meu estômago. E não mexeu em uma única das coisas que me levavam até a comida. O que eu fazia quando o dia pesava, o que eu pensava depois de sair da linha, a forma como eu me enxergava, e tudo aquilo que eu repetia sem escolher.
Ninguém tinha me dito que existia outro trabalho.
Eu descobri quando não sobrou mais nenhuma cirurgia para fazer.
Foi aí que eu parei de procurar mais uma forma de emagrecer e comecei a estudar como cérebro e mente participavam daquilo que eu repetia. Usei em mim primeiro. Depois levei para o meu trabalho, com mais de 2 mil mulheres.
Hoje eu peso 62,5 quilos. Mantenho há dez anos.
E a vida leve que eu esperava que viesse com o peso não veio com ele. Veio com esse trabalho.
O meu emagrecimento não é o meu método. É o resultado dele.
Aline Bitton, terapeuta especialista em emagrecimento feminino. Dez anos de trabalho com neurociência do comportamento, PNL sistêmica e nutrição comportamental.